quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Sagrado e o Profano

"Amor sagrado e profano" - pintura de Ticiano (1490-1576) 



1. SAGRADO:

É tudo aquilo que divinizamos ou está relacionado ao divino, foco de respeito, veneração e até mesmo de adoração. São considerados sagrados, a própria divindade (Deus ou deuses), também os seres ligados diretamente a a ela, como os anjos, os avatares, etc. Além da divindade e dos seres ligados a ela também podemos identificar como sagrados coisas como alguns tipos de alimentos (o pão e o vinho oferecidos em sacrifício nos ritos cristãos da missa ou do culto), objetos (cálice, altar, roupas, bíblia, ícones, etc. a serviço do culto divino), lugares (templos, igrejas, sinagogas, montanhas, cidades, etc.), pessoas (profetas, sacerdotes, etc.), também existem outros tipos de coisas sagradas bastante curiosas como: árvores, pedras, o sol, a lua, etc.

O Sagrado está quase sempre relacionado a ideia de santidade, mas não necessariamente no sentido de perfeição, e sim também no sentido de propriedade, ou seja, enquanto certas coisas ou seres são propriedades do Ser ou dos seres divinos em questão. Isso ocorre por exemplo como no caso do povo de Israel que é um povo considerado sagrado mediante a aliança realizada entre Javé (Deus) e o patriarca Abraão, cujo trato (aliança) conforme está escrito na Torá, torna os descendentes de Abraão, propriedade de Javé, mas não exige do povo perfeição, apenas que este adore e sirva a Javé como Deus Único e não venham a adorar outros deuses.


2. PROFANO:

Ao contrário do sagrado o profano é tudo aquilo que está relacionado ao mundo atual em que vivemos, também chamado de século. Mas é importante ressaltar que quando falamos de profano, não estamos nos referimos ao mundo como algo negativo ou ruim. Talvez algumas religiões possam ter uma visão negativa do mundo, mas não podemos generalizar. O próprio Jesus afirmou certa vez que não é o que vem de fora (do mundo) que torna o homem impuro e sim o que sai de dentro do homem, pois tudo o que Deus criou é bom.   O ser humano é quem destrói as coisas, mata por inveja, vingança, rouba, destrói a natureza, etc.

Quando nos referimos ao elemento profano estamos nos referimos ao mundo atual em que vivemos com as coisas diárias que fazemos, e que não possui relação alguma com a divindade ou divindades, refere-se exclusivamente a vida humana em si, como o ato de namorar, trabalhar, estudar, comercializar, etc e que nada tem a ver com o culto as divindades. Deste modo, são profanos todos os atos e relações humanas que não estão relacionados ao culto à divindade.


3. A IMPORTÂNCIA DE RESPEITAR O SAGRADO:

Sagrado não é apenas aquilo que existe dentro da religião que pertencemos, pois o que é sagrado para a minha religião, pode não ser para outra. Mas quando há respeito mútuo, aprendemos a conviver com harmonia e consideração. Pomos fim às guerras religiosas e as perseguições e valorizamos o que talvez há de melhor na religião do outro.

Ter uma ideia negativa do profano achando que o mundo e as coisas mundanas são sinais de pecado e de impureza é desconsiderar que tudo o que existe foi criado por Deus, um ser superior e transcendente que nos permitiu tudo isso que temos ao nosso redor, para a nossa sobrevivência e para a nossa felicidade. Não podemos negar a nossa condição mundana e a nossa transcendência só será possível não se negarmos o profano, mas se tornamos sagrado a realidade que vivemos através de atitudes transformadoras que traga o bem estar e a qualidade de vida para todas as pessoas do nosso mundo. Quando respeitamos o sagrado do outro, temos o direito a exigir respeito ao que é sagrado para mim.


4. AGORA TESTE O SEU CONHECIMENTO:


1. Dê exemplos de espaços sagrados e profanos explicando a diferença entre eles.
2. É correto afirmar que o profano é sinônimo de algo pecaminoso ou totalmente negativo? Explique.
3. Quando que o profano se torna algo negativo e ruim e quando que ele é positivo e bom?
4. Explique a importância de se ter que respeitar os elementos sagrados de cada religião.
5. Explique por que a ideia de sagrado nem sempre está obrigada à ideia de perfeição?

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